24 de junho de 2008

the three wise books

Às vezes, ponho-me a observar os outros passageiros nos transportes públicos e, com o tempo, depreendi que estes se dividem em duas categorias distintas: os que se querem enervar, e os que se tentam distrair.
Os primeiros, por atraso, nervosismo, ou hábito, passam toda a viagem a alternar o olhar entre o relógio de pulso e a fila de transito que se estende ao longo do percurso, soltando um suspiro de irritação pelo nariz, enquanto cruzam os braços energicamente. Permanecem nesta posição por uns breves momentos, até se sentirem enfadados, e prontos para recomeçar novamente o ciclo.
Para os que se tentam distrair, existem múltiplas técnicas a utilizar.
Uns, optam por continuam o que estavam a fazer há poucas horas: dormir.
Há quem ouça música, observe a paisagem, jogue sudoku, ou leia livros. E, neste caso, faço questão de espreitar o livro que estão a ler.
Raramente deixo de me desiludir.
Há velhotas amorosas a ler os livretes religiosos que os 'hélderes' estão sempre a tentar impingir.
Há cavalheiros a ler o jornal gratuito, que depois abandonam no autocarro, como prova irrefutável de que estavam a ler lixo.
Depois, há quem aproveito aquela meia horita para avançar no livro da margarida rebelo pinto.
Por dios! Que fizeram aos clássicos?

4 comentários:

olivia disse...

Mana-boa
Nem toda a gente tem coragem de entrar numa aventura tipo Conde de Montecristo... Contigo ninguém tão observador ficaria desiludido :D

olivia disse...

* ah, e esqueceste-te de uma categoria muito importante: os que vão a observar os outros! ;)

L. disse...

não me esqueci.
omiti propositadamente ;)

Anónimo disse...

Bem dito, Olívia! Eu pertenço a esse tipo porque não consigo ler em autocarros... Mas às vezes ponho chamadas telefónicas e sms em dia. Isso também conta? M