
O fim de semana foi sossegado, isso e verdade.
E fui para a piscina, apanhei sol, joguei as cartas, vi televisão e comi sandes de pasta de atum, como prometi.
O problema foi o regresso. Sim, foi um grande problema.
A Catarina decidiu que afinal só voltava na segunda de manhã, porque só trabalha à tarde.
Assim sendo, não havia razão para apanhar um comboio até à estação do oriente, quando podia apanhar um autocarro até sete rios, e daí o 50 até casa. Saímos de casa às 18h45, para apanhar o Eva-Expresso das 19h15, que parte de Vilamoura.
Pois sucede que a bilheteira de Vilamoura não abre aos Domingos, e o motorista não me deixou comprar bilhete a bordo. Uma senhora que estava na fila sugeriu que fosse até à Quarteira, porque lá há uma estação. Havia, mas estava fechada. Lá implorei ao motorista que me deixasse entrar, ele falou com o chefe e disse que sim.
Entrei, feliz por ter conseguido transporte para Lisboa.
Demos uma volta de 1 hora por tudo quanto é recanto do Algarve, parando em cada caminho de cabras em que um transeunte fazia sinal. Finalmente, chegamos à estação de Valparaíso, onde deveria estar o Expresso que nos levaria a Lisboa.
Não deixo de louvar a imaginação do cavalheiro que baptizou a localidade, por que de paraíso não tem nada. É um buraco malcheiroso, onde se reúnem almas suadas, cansadas, e fartas de esperar por uma viagem pela qual pagaram, e bem.
Ao que parece, venderam demasiados bilhetes para um autocarro. Afinal, também existe overbooking na rede de Expressos. Quem diria?
Isto seria um problema menor, se o segundo autocarro que queriam enviar em viagem estivesse a funcionar. Assim, os passageiros estavam a amotinar-se, pelos lugares no autocarro que estava em perfeito estado de funcionamento.
O reboliço só acalmou quando um técnico conseguiu trazer de volta os sinais vitais do autocarro moribundo.
Embarquei, eram já 22h, e dei um suspiro de esperança por uma viagem sem mais complicações.
Depois de uma hora na estrada, chegou o momento da rotineira paragem para xixi e café, na estação de serviço de Aljustrel.
A paragem seria de 15 minutos. Tempo suficiente para levantar dinheiro, comprar uma revista, umas bolachas e um sumo, e ainda aliviar a bexiga na casa de banho da estação, que juram ser limpa a cada 30 minutos. É mentira, mas pronto.
Dei uma corridinha até ao autocarro, com medo que arrancassem sem mim. Pus o cinto se segurança, e aguardei que pela partida. 10 minutos depois percebi que isso não ia acontecer.
Saí, para investigar, e também porque já não aguentava estar dentro do autocarro sem ar condicionado.
Depois de uns patapis-patapás com os restantes passageiros, inteirei-me da situação: o veículo tinha uma avaria, e tínhamos de esperar para ser recolhidos por um outro autocarro que estava a partir de Lisboa nesse momento.
Esperámos mais duas horas. Comi os meus snacks, li a revista, conheci um português e um casal espanhol. Conversámos e jogámos uno. Ainda houve tempo para ser comida viva pelos insectos, e esmagar tantos quantos consegui apanhar.
A recolha chegou às 3h. Voamos até Lisboa, e estacionámos na Estação do Oriente ao bater das 4h30. Apanhei um táxi até casa; deitei-me às 5h e não fui trabalhar de manhã.
10 horas e 35€ depois, apercebo-me de que deveria ter passado a noite em Vilamoura.
Até aposto que Mercúrio está em retrocesso.
4 comentários:
Grande aventura por terras algarvias!! O que interessa é que chegaste viva!! Jokas
e ainda querem que um gajo ande de transportes... damn!!
Ninguém merece! Autocarros Jamais!E queixa disso tudo, já fizeste???
In my humble opinion, Portugal suffers from disorganization hidden by a layer of complacency. It is a beautiful country full of potentialities, but it is unfortunate to be governed by a gang of people pride of their ignorance! Of course, this is applicable in public as well as private sectors.
You were one of those unlucky citizens who paid its price. However, as vera sai "O que interessa é que chegaste viva!!"
Kind regards; Amadeaus
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